Holanda - Texel, A ilha das aves  | Site de Viagens

Holanda - Texel, A ilha das aves

Publicado em 07 Outubro 2009 por admin

Um dos refúgios preferidos dos holandeses, a Ilha de Texel é caracterizada pela variedade das suas paisagens, com realce para os 30 quilómetros de praias e para o Parque Nacional de Dunas. Ponto privilegiado de observação de aves, Texel convida a passeios de bicicleta ao longo de parques naturais e pitorescas povoações. E, em Oudeschild, é ainda possível embarcar para ver focas em habitat natural no Mar de Wadden.

As grandes dimensões do “ferry-boat” que faz a ligação entre a cidade holandesa de Den Helder e Texel são sinal de que a mais ocidental das ilhas Frísias atrai milhares de visitantes. Holandeses e alemães gostam de ir até às margens do Mar do Norte para relaxarem nas praias de Texel, ou para observarem a fauna e paisagens variadas dos seus parques naturais, pedalando ao longo de dunas, florestas frondosas, vilas pitorescas e pólderes - terras conquistadas ao mar através dessas especialidades locais que são a drenagem de terrenos e a construção de diques.

A ilha tem 25 quilómetros de comprimento e nove de largura e esteve relativamente isolada durante séculos, o que levou ao surgimento de um dialecto próprio, que hoje pouco se fala. Antes da abertura do Canal do Mar do Norte, no séc. XIX, muitos barcos holandeses a caminho de países europeus e do “Novo Mundo” faziam escala em Texel. Foi de lá que partiu a primeira expedição comercial da poderosa Companhia Holandesa das Índias Orientais e foi lá que se deu o terrível naufrágio de 1593, quando ventos ciclónicos provocaram o afundamento de 44 naus holandesas e a morte de mil marinheiros.

As dimensões e a quase ausência de relevo fazem com que alugar uma bicicleta seja a melhor opção para explorar a ilha. Como é habitual em toda a Holanda, existe uma extensa rede de ciclovias, com um total de 135 quilómetros, ligando as sete pequenas povoações texelianas e atravessando todos os parques naturais. A eficiência dessa bem assinalada rede de caminhos velocipédicos faz com que o trânsito automóvel escasseie, embora haja uma boa estrada que cruza longitudinalmente a ilha. Situada na sua zona central, a pitoresca vila de Den Burg é a capital local, onde decorre todas as segundas-feiras um mercado que tem origens nos tempos em que os criadores de toda a ilha acorriam à povoação para venderem gado. A Den Burg pode aplicar-se o termo “gezellig”, que os holandeses utilizam constantemente para caracterizar tudo o que é confortável ou simpático. No seu pequeno centro histórico encontram-se as típicas casas de madeira com telhados muito inclinados e vários restaurantes e cafés acolhedores.

A poente de Den Burg, junto ao Mar do Norte, situam-se duas das principais atracções turísticas de Texel: uma linha de praia com areias finas e muito claras, que se prolonga ao longo de quase 30 quilómetros, e o Parque Nacional de Dunas. As entradas para as praias são numeradas e dispõem de pavilhões de apoio com balneários e serviços de restauração, dois deles abertos durante todo o ano. Separada da praia por duas dunas, De Koog é a povoação mais turística de Texel e tem um tom bem balnear, notório nos muitos bares e discotecas da sua rua principal.

O Parque Nacional de Dunas oferece uma teia de ciclovias e caminhos pedonais que dão acesso a paisagens variadas, desde a zona de plantações de tulipas próximo de pen Hoorn até às lagoas próximas de De Slufter e aos pinhais a montante. O parque é também um ponto privilegiado para observação de aves, já que Texel fica no trajecto migratório de muitas espécies, que ali encontram solos férteis em alimento. Um recente levantamento contou 351 tipos de aves na ilha (entre eles pássaros que têm nas dunas o seu habitat, como o tartaranhão-azulado, o chasco-cinento e o pintarroxo de queixo preto), dos quais 120 ali nidificam. Esta diversidade faz com que os habitantes locais se refiram a Texel como a “ilha das aves”.

texel ferry

Focas no Mar de Wadden

O lado da ilha oposto às praias é banhado pelo Mar de Wadden, que é uma área semi-fechada do Mar do Norte onde abundamos pântanos e os bancos de areia. Toda virada para o mar, a povoação de Oudeschild testemunha a importância histórica da pesca e do comércio naval em Texel. Alguns dos barcos da sua buliçosa marina estão agora adaptados ao novo grande negócio da ilha: o turismo. Mediante o pagamento de 10 euros, o visitante pode embarcar durante algumas horas e ver de perto as focas brincalhonas que nadam ou se espraiam em bancos de areia no Mar de Wadden. Ao longo da navegação, o comandante vai explicando em holandês todo o método de pesca. Para delírio das crianças, agarra nos peixes que vieram na rede e descreve as suas características. A viagem oferece também a possibilidade de degustar marisco fresquíssimo, dado que o camarão pescado é cozido e servido a bordo. Igualmente recomendáveis são os passeios de avioneta a partir do aeroporto local (cerca de 25 euros por pessoa para ficar com uma perspectiva aérea da ilha) e as visitas a Vlieland, a ilha frísia mais próxima de Texel. Vlieland, a mais recôndita das Ilhas Frísias holandesas habitadas, tem uma paisagem marcada pelas dunas e por 18 quilómetros de praias. Na época balnear pode ser alcançada de ferry (viagens de ida e volta por 17,50 euros) a partir de De Cocksdorp.

A revolta dos georgianos

É difícil imaginar que num cenário tão tranquilo como Texel se tenha disputado uma batalha que vitimou muitas centenas de soldados e de civis. A história aconteceu já no desfecho da 11 Guerra Mundial, quando a ilha assumiu uma forte importância estratégica no controlo do Mar do Norte. Os alemães tentavam defendê-la a todo o custo e recorreram a um batalhão de infantaria georgiano que tinha sido capturado na frente oriental e aparentemente preferira: colaborar com o inimigo a sujeitar-se à morte quase certa dos campos de prisioneiros nazis. Os georgianos dispunham assim de uma liberdade limitada e eram utilizados como tropa de apoio. Na noite de 5 de Abril de 1945, motivados pelo rumor de que os aliados iriam desembarcar brevemente em Texel, atacaram os alemães e conseguiram dominar toda a ilha, com excepção das baterias de artilharia localizadas nos seus extremos norte e sul. Isso foi-lhes fatal, dado que apesar de terem imposto pesadas baixas (cerca de 400 homens), não conseguiram impedir que os alemães, apoiados por reforços vindos de terra, contra-atacassem e voltassem a apoderar-se da ilha após semanas de duros combates. A luta continuou após a capitulação incondicional do exército alemão, em 8 de Maio, e só 1 2 dias depois tropas canadianas conseguiram pacificar o “último campo de batalha da Europa”, onde ainda resistiam cerca de 230 georgianos dispersos. A destruição do património texeliano foi imensa e terão morrido 800 alemães, 570 georgianos e 1 20 habitantes locais. Os georgianos que sobreviveram foram repatriados para a União Soviética de Estaline, onde em 1953 foi realizado um filme propagandístico (”A Ilha Crucificada”) contando a sua saga.

Onde ficar

Carels Kamers Hotel Texel

Zeerust Hotel Texel

Hotel De Pelikaan Texel

Pension De Zonnestraal Hotel Texel

De Lindeboom Hotel Texel

Mais sugestões

Onde comer

No centro do Den Burg, o café-restaurante “Het Schoutenhuys” serve pratos feitos à base do gado local, como as costeletas de carneiro grelhadas. Tem a particularidade de estar decorado com memorabilia de bandas de rock dos anos 60, como os “The Doors” e os “The Beatles”. Em Oudeschild, o “Vispaleis-Rokerij De Ster” é, como o nome indica, um “palácio do peixe”. Este “take-away” fica bastante próximo da marina local e isso nota-se na frescura do pescado servido.

Texto: Paulo Jorge Barbosa

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