As paisagens esculpidas pela força do gelo são de cortar a respiração, o sossego é paradisíaco. As ilhas Lofoten, na Noruega, constituem um daqueles locais de visita obrigatória para quem desejar conhecer as fracções do planeta que a mão humana tem sabido preservar. E imperdoável deixar as ilhas sem antes experimentar um bom banho de água quente em plena rua, acompanhado por dois dedos de conversa e um belo par de cervejas geladas.
A primeira sensação que nos invade quando chegamos às ilhas Lofoten, na Noruega, é a de um cheiro intenso a mar e peixe. Mas não é um daqueles cheiros que incomodam e nos fazem querer voltar para trás. Nada disso. É uma essência suave, temperada, que combina na perfeição com o frio, que nesta época do ano não é tão feroz como inicialmente seria de supor. A suavidade que a corrente do golfo do México lhe confere torna perfeitamente suportáveis os poucos graus positivos - ou negativos - que esperam o visitante.
O segundo sentimento é o de uma imensa paz, inspirada pelo silêncio ensurdecedor das grandes paisagens montanhosas, sempre brancas durante os meses de frio. Situadas entre os paralelos 67 e 68, as ilhas Lofoten são como que um pedaço de paraíso esculpido pela força na Idade do Gelo.
Para conhecer as oito grandes ilhas (o arquipélago tem inúmeras pequenas ilhotas), precisa de algum tempo, de uma dose razoável de resistência ao frio e de estar munido dos horários actualizados dos comboios e dos autocarros. Há, também, várias linhas de “ferryboats” a ligar as diversas ilhas. Uma passagem por um posto de turismo é uma ajuda preciosa, onde pode adquirir um mapa da região.
Se o seu destino for Henningsvaer, na ilha de Austvagoy, não pode deixar de apreciar os barcos que de madrugada partem para a pesca; e, se quiser, pode igualmente embarcar num dos barcos de turismo que vão mar dentro para ‘mostrar como apanhar peixe à linha. A meio da manhã, os pescadores estão de volta para amanhar o pescado.
Há quem chame a esta vila de pescadores, com cerca de 500 habitantes, “A Veneza de Lofoten“, por grande parte das suas casas estarem em cima de estacas. Um dos chamarizes é a Galeria Karl Erik Harr, espaço baptizado como nome de um artista local ainda vivo, cuja grande paixão é a reprodução da paisagem e do quotidiano dos pescadores da vila.
Repousar em água quente
No caso de optar por Svolvaer (na mesma ilha), o centro administrativo das ilhas Lofoten, com aproximadamente 4200 habitantes, aproveite a tranquilidade do lugar e desfrute dos museus locais, onde Gunnar Berg expõe algumas das suas pinturas num elogio amoroso àquelas paisagens de espantar.
Tal como em Henningsvaer, em Svolvaer o visitante não pode deixar de experimentar o tradicional banho quente norueguês: vista o seu melhor fato de banho, entre dentro de uma tina gigante de água bem quente colocada em plena rua com mais dois ou três compinchas de viagem, espere que o calor faça efeito, saia para tomar um banho no mar ou simplesmente para um pequeno passeio na neve e regresse para a água quente. Por aquelas bandas, a tradição manda que os banhistas troquem dois dedos de conversa acompanhados por um par de cervejas … geladas. Vai ver que não se arrepende e, no final, nem sente o frio enquanto corre de volta para o quarto, onde o mais avisado é tomar um bom duche e agasalhar-se a preceito antes de ir jantar.
Para os amantes do golfe, é obrigatória a passagem pelo Lofoten Goulf Course, situado em Hov. Mesmo de fronte para o mar, este campo de nove buracos está colocado numa extensa planície desabitada e proporciona uma vista espectacular sobre as montanhas. A ventania gelada desta época do ano pode espantar mesmo os “mais radicais.
Se, na ilha de Gimsoy, a atracção principal é o campo de golfe, na de Vestvagoy a localidade de Leknes toma conta da centralidade. Mas o que vale mesmo a pena é dar um pulo a Unstad, um conjunto de meia dúzia de casas entre o mar feroz e as montanhas. É fantástico poder constatar que, mesmo tratando-se de umas poucas dezenas de pessoas, o estado norueguês construiu um túnel de acesso da localidade até à estrada principal, para diminuir o seu isolamento. Tal como em diversas outras áreas das ilhas Lofoten, em Unstad pode deixar-se seduzir pela escalada.
Um bom final de viagem pode ser Skrova. A ilha é basicamente habitada por pescadores e por negociantes de carne de baleia, podendo o visitante ficar alojado no simpático Zackarias Brygga, mesmo junto ao cais. Na companhia de um belo prato de carne de baleia, goze o ambiente do lugar. Um dia, vai ter vontade de regressar lá.
Quando ir
Maio e Junho são os meses mais secos do ano. No Verão, pode apreciar o famoso sol da meia-noite no Círculo Polar Árctico - as temperaturas são mais amenas e os hotéis não estão sobrelotados.
Onde ficar
Em Svolvaer, a quantidade de locais onde se pode dormir é própria de uma zona onde o turismo está longe de ser de massas. Mas vale a pena.
Onde comer
Como não podia deixar de ser, a cozinha norueguesa oferece o melhor bacalhau do mundo. A forma mais usual de apresentar o bacalhau é cozido, com as ovas do mesmo, batatas e legumes.
Texto: Mário Barros











































