Islândia, Sob o signo do fogo | Site de Viagens

Islândia, Sob o signo do fogo

Publicado em 21 Outubro 2009 por admin

O mais jovem país da Europa - geologicamente falando - ainda está em formação. Um pouco por todo o lado, no alto das montanhas e debaixo dos glaciares, há um rio de fogo que vai modificando paisagem primitiva da ilha.

A Islândia é uma das maiores ilhas do Atlântico Norte, com pouco mais que a área de Portugal. O Círculo Polar Árctico passa poucos quilómetros a norte da ilha principal, na pequena ilha de Grímsey. Geologicamente, é o mais jovem país da Europa e um dos vulcanicamente mais activos a nível mundial. De vez em quando uma erupção ocorre e o país é presenteado com mais uns quilómetros de território; foi o caso da ilha de Surtsey, por exemplo, que “nasceu” em 1963.

O nome dá uma ideia do que nos espera: “Ísland”, Terra de Gelo. E o nome não se deve apenas ao clima frio: a própria natureza é árida e agreste como gelo. Sobre o chão de lava escura pouco consegue crescer para além de líquenes e algumas plantas rasteiras; é a esta quase completa ausência de árvores que se deve a velha piada “se estiver perdido numa floresta islandesa, levante-se”.

Cerca de um terço da ilha fica acima dos seiscentos metros de altitude e as montanhas tomam cores irreais graças à actividade vulcânica, com o sopé muitas vezes debruado a amarelos-enxofre, acompanhado de fumarolas e lagos de lama cinzenta e borbulhante.

Este deve ser o melhor local do mundo para observar os movimentos de transformação do planeta. Para além das fumarolas e dos campos de lava, também há géiseres fabulosos, como o Strokkur, que chega a atingir vinte metros de altura - não admira que a palavra géiser venha do islandês geysir. Quanto a vulcões, são mais de cem, e o Hekla e o Katla continuam perigosamente activos; mesmo debaixo das calotas de gelo, como a do Vatnajokull, que atinge os mil metros de espessura, brota o fogo da terra, derretendo e alterando constantemente a forma do glaciar. Enquanto ao longo da costa o mar banha os sandur, deltas de areia negra, o interior é de uma aridez lunar: planaltos desérticos de lava em vários tons de negro, rochas enormes, vulcões e rios que descem dos glaciares, mas que não conseguem dar vida às margens. De vez em quando, gigantescas quedas de água, como a Dettifoss, que tem o maior caudal da Europa (quinhentos metros cúbicos por segundo), atroam por desfiladeiros cada vez mais profundos. Quanto à actividade sísmica, basta dizer que Thingvellir, local histórico onde se reunia o que é considerado o mais antigo Parlamento do mundo, também é o local de encontro entre as placas tectónicas europeia e americana.

Islândia

Fontes geotérmicas

Felizmente os islandeses não são indiferentes a nada disto. Faz parte da educação colectiva a responsabilização de cada um em relação a um equilíbrio tão precário, como é o da natureza nesta ilha. De forma pragmática e sistemática, o país aproveita os seus recursos sem os destruir. Por exemplo, o indispensável aquecimento dos edificios é feito, em mais de 90 por cento dos casos, através do aproveitamento geotérmico; o sistema eléctrico é alimentado quase na totalidade por fontes geotérmicas e hídricas. Mais do que isso, a Islândia tem ainda um projecto pioneiro para aproveitamento do hidrogénio líquido, que deve levar à substituição total dos combustíveis fósseis num prazo de trinta anos.

A capital, Reiquejavique, é igual a todas as povoações que encontramos pela ilha fora, só que um bocadinho maior. Os prédios são raros e nunca muito altos, o trânsito é desafogado, as ruas largas, os canteiros ajardinados com flores garridas. Cerca de 170 mil de um total de 250 mil habitantes vivem aqui. As ovelhas são bem mais abundantes: ultrapassam as 700 mil, três vezes mais do que os islandeses. Akureyri, a segunda cidade, fica na costa norte, mas a paisagem urbana é a mesma, feita de casinhas baixas e garridas com um inexplicável ar de pré-fabricado.

A cerca de quarenta quilómetros da capital, a Lagoa Azul deu fama à central geotérmica que lhe está adjacente. Só aqui nos podemos banhar ao ar livre em água naturalmente aquecida, opaca e azulada, num cenário de chaminés metálicas que nos remete para um filme de ficção científica. Na encosta do vulcão Krafla, um dos 24 furos com mais de 2300 metros de profundidade, expele vapor a 200 graus centígrados e o rugido assustador de uma panela de pressão prestes a rebentar. Junto ao lago Myvatn podemos apreciar a permanente reformulação da ilha: quando um dos vulcões da zona lançou lava para os pântanos que ali existiam, formou-se uma fila de falsas caldeiras, redondas e alinhadas, na borda do lago. Estes são apenas alguns dos locais onde é possível ver e sentir o nascimento e transformação do que é considerado como o mais jovem país da Europa, geologicamente falando.

Dizem os cientistas que, dentro de alguns milénios, se não tivermos conseguido acabar de vez com o planeta, é possível que existam até duas Islândias; uma linha de tensão avança de norte a sul da ilha, rasgando-a em duas, atravessando o glaciar de Vatnajokull em di-recção a Fjallabak. O encanto da Islândia resulta justamente deste seu lado selvagem e do carácter efémero da sua beleza. Glaciares de um azul arrepiante, fumarolas sibilantes, lagoas de lama pálida e cones escuros de vulcões silenciosos são as memórias que ficam desta ilha feita de fogo.

Quando ir

A Islândia é o território mais a Norte do continente europeu. Daí a necessidade de viajar durante o pino do Verão, de preferência em Agosto.

Onde ficar

Na capital não falta escolha, pode ver algumas aqui. Em toda a ilha é possível encontrar uma boa opção para o equilíbrio qualidade/preço não esquecendo que este é um dos países mais caros da Europa. Começam nos 77 €, com casa-de-banho comum, e vão até aos 139 €.

Informações

A natureza é o mais espantoso espectáculo da ilha. Informações no site icelandtouristboard.com. A moeda é a coroa islandesa, e um euro vale cerca de 91 coroas. O nível de vida é muito alto.

Texto: Ana lsabel Mineiro

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